terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Antítese do Fantasma


Bate um vento frio. Um fantasma ronda a sala, tamborila os dedos na mesa, faz chacota da seriedade da escrita. Mas ninguém vê. Desapontado, ele sai e senta-se no balanço, tal como ele abandonado. Põe-se a pensar nos tempos em que era vivo e também não levava a vida muito a sério. Suspira. Se houvessem, em seus olhos etéreos, lágrimas, choraria. Baixa a cabeça ao luar sentindo-se perdido na eternidade da morte e por fim deita-se cansado na grama, pensando em como seria renascer macieira. O sol raia cedo, sua primeira luz toca um broto novo que começa a subir ao céu. Parace-me que é um pé de abacate manteiga.

Marina Costa