domingo, 3 de junho de 2007

Tormentas

Marina Costa


O que aconteceu com toda a história do papel? O confessionário onde sentimentos são despejados sem serem interrompidos pelas lanças que saem de corações feridos?


O tempo. Esse mal ou bem irremediável que cura feridas, sepulta promessas, destrói ameaças e nos traz talvez o pior de todos os hábitos; a rotina.
A rotina que nos leva a fazer tudo do meio mais fácil para não termos o trabalho de pensar. Mecânico, como se o ser humano fosse mesmo uma máquina. A rotina, que faz com que deixemos de aproveitar a companhia de um ser radiante e iluminado pela simples certeza de que o veremos mais uma vez. A rotina que nos leva a esquecer de algo tão presente em nossos dias; o imprevisto.


Num mundo em que tudo é muito rápido, num mundo onde a certeza deixa de existir no momento seguinte, após virarmos a esquina. O coração, antes tranquilo – “Vou vê-lo de novo.” – se aperta ante a dúvida que surge – “Será?”.
Por isso são tão necessárias as tormentas! Literalmente, as tempestades em copo d’água que por vezes ocorrem dentro de nós trazem ondas furiosas que lavam a alma, ventos alucinados que dissipam maus sentimentos e clareiam a mente, deixando fértil o coração para que nasça novamente a semente do bem querer, fazendo com que vejamos aquele ser como se fosse a primeira vez, com toda a emoção e amor que isso quer dizer.


Por isso, dizem os sábios: sejam intensos.
Amar com intensidade, sentir com intensidade, viver com intensidade, brigar com intensidade nem que seja para sofrer com intensidade.
Pois é o calor do momento que aquece a alma e nos faz sentir vivos, pulsantes, ligados ao mundo.
Que me perdoem tantas tormentas. Mas esse foi o meio que encontrei para deixar em meu ser um campo sempre arado permitindo que sentimentos cálidos possam nascer a todo minuto.

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