quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tanto


Henrique Fendrich

(micrônica)
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O momento foi feliz, ela não precisaria sequer me contar. Não que eu não quisesse ouvir, ouvia com interesse. Daquele momento feliz eu não pude participar. E o que poderia resultar numa tola inveja, virou uma alegria compartilhada, como seria necessário que acontecesse. Me faziam bem os olhos que brilhavam e me diziam tudo de bom que aconteceu. Eu ouvia sem saber se a felicidade que ela teve era maior que a minha em vê-la contando.
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E nesse instante ela comentou que, em meio à alegria geral, se lembrou tanto de mim... Oh, do que é capaz um reles e simples advérbio de intensidade? "Tanto". Foi então que eu tive certeza que estava diante de um anjo. Já havia lido sobre eles alguma vez, e quem eu tinha diante de mim possuía a maioria das características.
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Falei isso e ela riu. Julguei que seu sorriso era uma confissão. Para não constrangê-la por ter descoberto seu segredo, tentei mudar o assunto. Mas ela ainda quis falar um exagero a meu respeito. Discordei, mas levemente, porque o tempo era de paz, e porque afinal de contas, eu também me lembrei tanto dela...

Um comentário:

  1. Henrique, que linda!!! Lembrei logo daquela música que o Skank canta... e não é que ela pode até ser pano de fundo!! É a "micrônicra" mais completa que eu já vi... o que não está nas lindas, fica bem escrito nas entrelinhas e a gente até sente a alegria das personagens saltando no nosso próprio sorrisso... eta menino de talento vc!!! Linda!!!!

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