quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Até o Fim


Henrique Fendrich

O Partido Inexpressivo do Brasil se reuniu para discutir as novas diretrizes. A começar, resolveram mudar de nome. A sigla PIB já havia rendido algumas confusões ao partido. E além do que, estavam obrigados a fazer alguma fusão com outros partidos. Do contrário, seriam extintos, como todos os demais partidos nanicos. Isso foi decidido pela Assembléia, liderada pela bancada do Partido Que Já Nasceu Gigante do Brasil. O presidente do PIB queria sugestões. Com quem vamos fazer a fusão?

- Que tal com o Partido Expressinho? Tem mais a ver com a gente.

- Eles são de direita, e a gente é de esquerda. Não tem como.

Proposta negada por maioria esmagadora dos votos. E o Partido Revolucionário Ultra Jovem?

- São radicais. A gente é de esquerda, mas nem tanto né? Nada de socialistas extremistas por aqui.

A reunião avançava e não se tomava decisão nenhuma. Recusaram fusões com o Partido do Meio Termo, com o Partido da Falta de Termo e até com o Partido Nanico do Brasil, alegando que os opostos é que se atraem, e além do que, eles tinham umas idéias esquisitas. Todos os partidos iam acabar corrompendo as idéias do PIB, diziam. Mas era preciso escolher um deles e fazer uma fusão, senão o partido sumiria do mapa.

- Alguém tem que ceder! É a nossa sobrevivência!

Mas ninguém no Partido Inexpressivo do Brasil pensava em ceder. Não teve nome novo nenhum, não teve fusão nenhuma, não teve decisão nenhuma. O Partido morreu. Mas os membros estavam felizes. “Fomos coerentes até o fim”, consolavam-se mutuamente.

Um comentário:

  1. Crônica símbolo da nossa reforma partidária. Nada expressiva!!!! Sua crítica resoluta aliada com aquele seu jeito manso de cutucar... E no final das contas o suspiro resignado, e no final das contas o leitor se sentindo um bobo que não presta atenção em nada à sua volta e precisa de levar um puxão do escritor! Ainda bem que temos esse escritor!!!! Beijo Rike!

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