quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Saramagueando

Henrique Fendrich
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Lembro da primeira vez que, por circunstâncias especiais, me vi obrigado a fazer a leitura de um dos livros de José Saramago, do qual nada conhecia até então, e não foi com muito entusiasmo que vi se tratar de uma publicação com mais de 400 páginas, sem qualquer gravura, e com linguagem rebuscada, mas ainda assim me dispus a fazer a leitura, não sem alguma dificuldade, e em pouco tempo já me perguntavam, Que está você achando do livro, assim, como quem já tivesse lido e quisesse confirmar a sua opinião a respeito, ou então apenas por curiosidade, ou então por não ter o que perguntar, e exclamavam ainda, São muitas páginas, mas isso só me diziam quando viam o tamanho do livro que eu carregava, o qual, como já disse, era rico em páginas, e a isso tudo eu me via obrigado a responder e travar colóquios dos mais diversos, Estou ainda na metade, Gostas do que já lestes, Estou me acostumando, De fato não é das maneiras mais simples para se entender, e sempre que falavam assim eu emendava, Ainda mais para alguém com entendimento tão precário como o meu, Que achas tu dessa maneira de escrever, Olha, admiro, mas, Mas o que, Pra falar a verdade, detestaria escrever assim.

Um comentário:

  1. Detestaria? Mas se saiu explendidamente!! Saramago é o típico autor que causa preguiça no começo. Sempre temos preguiça daquilo que não conseguimos assimilar com a facilidade que essa vida nos ensina a entender as coisas. Depois ele se torna aquele momento pescado no mar das futilidades. Se torna mestre. Se torna espelho da realidade que ninguém quer enxergar. Como certo escritor que conheço... escritor de coisas maravilhosamente simples e "saramaguestas"...

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