domingo, 2 de março de 2008

No escuro que sobra da noite



Marina Costa

Pois se me vejo acordada, quando até a tv já dormiu e percebo que não consigo parar de pensar na morte, na vida e em todos os problemas que essas duas palavras nos trazem, subo meus olhos à lua, que me olha piedosa da janela e imploro pelo sono dos justos, que minha consciência humana não me dá.

No escuro que sobra da noite me encontro perdida e sem teto. Se escrevo palavras impensadas é porque espero que alguma outra alma, vagando sem rumo nessa imensidão que enlouquece, possa me explicar o que as estrelas, impacientes e distantes, não são capazes de me fazer entender.

Não durmo. No dia seguinte, continuando, finjo o sorriso que todos esperam e deixo as respostas para o túmulo.
 

Um comentário:

  1. Essas inquietações casam muito bem "no escuro que sobra da noite". E são dúvidas que atormentam a cada vez menos gente, porque cada vez mais se sente menos. Adorei desse último parágrafo, quando "finge o sorriso que todos esperam" e "deixa a resposta para o túmulo". Isso mostra como são difíceis as respostas conclusivas a esse respeito. Pra maioria das inquietações, não há outra respostas senão a que surge depois disso. Achei uma crônica agradavelmente sinistra rs..

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