domingo, 18 de maio de 2008

Entre Amigos e Amores


Marina Costa

Se me perguntarem hoje, qual o maior vilão das amizades, eu responderia, sem pestanejar: o amor!

- O Amor???!!!!, você questionaria, abismado. Sim, o amor! Eu novamente afirmaria.

Esse amor, que julgamos ser o único pelo resto de nossas vidas. Até que chega a próxima primavera. O amor, que no início é só compreensão, caixa de bombons, sonhar acordado, desenhos de coração nos cadernos.

Sabe por quê? Porque o amor, como vamos descobrir mais tarde, tem intrínseco o ciúme dos amigos . Ele ouve os elogios que ambos trocam, de braços cruzados, olhando de rabo de olho e até tenta entender aquela amizade tão bonita e sem más intenções. Mas a noite, quando deita em seu travesseiro e fecha os olhos no silêncio do suspense, infalívelmente aparece aquele demoniozinho interior, para cutucar sua paz, já tão instável:

_ "Amor, Amor, toma cuidado! Esses amigos aí estão muito abusados!"

_ "Amor, não sei não, hein Amor! Essas amigas estão meio carinhosas demais, você não acha?"

Pronto! Bastou para plantar a semente da desconfiança e, no dia seguinte, já se colhe os frutos podres da discórdia! Doces sorrisos viram lágrimas engasgadas, soluços entrecortados. Inocentes permissões se transformam em severas negações, com sérias ameaças de punição:
_ "Não, você não vai a lugar nenhum com esses seu amigos bêbados, esquisitos, insuportáveis, sem juízo, galinhas, etc, etc, etc OU eu não me responsabilizo!"

É, Amor. Teu mal é andar tão junto do ciúme, este inimigo tão impiedoso. Esse ser maldito que te mortifica a mente, te escurece a alma, te lança no abismo da solidão e que te faz crer que, por ser o Amor, você, e somente você, estará sempre com a razão. Só que não está, Amor. E infelizmente, não há amor, por maior que seja, que sobreviva e saia ileso de uma tempestade de desconfianças. E saiba ainda que, se um dia, você se resolver a fazer a fatal pergunta: _ "Ou eu ou seus amigos!", estará correndo um imenso risco de ver, em meio a um triste sorriso e um adeus sem muito remorso, seu amor virando a esquina da vida e te abandonando, te deixando com a descrença em ver que o seu amor, Amor, te deixou. Prefirou os amigos. Foi você que quis assim.

O amor é tão belo quanto a rosa fresca. Mas conforme a quantidade de espinhos que se tem a enfretar para colhê-la, desiste-se e passa-se a olhar para outras flores do jardim. Já verdadeiras e importantes amizades, somente são comparadas as grandes sequóias, que tem vida longa, e cujas raízes marcam com grande profundidade a terra de nosso coração.

Mais vale um bom amigo na mão, do que dois amores voando. Talvez seja a verdade.

Por isso, antes de atender ao aflito e inseguro coração, ouça a voz da razão. Antes de ser amor, seja amigo. E nunca se esqueça que amigo, Amor, é amigo.

Um comentário:

  1. O tema é interessante. E realmente, a posição que toma é verdadeira, já que isso é o que mais ocorre. Tenho uma rara amiga que, ao conseguir separar bem amizade de amor, me coloca acima das suas paixões. Mas são raras as pessoas que deixam de lado o amor para ceder a uma reles amizade =p.

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