domingo, 1 de junho de 2008

Mosaicos


Marina Costa

Não olho, mas vejo. Me vou. Pra onde? Escuto e não pergunto, também não guardo teu nome. Se me param, não percebo, se me perguntam não respondo e lhes mostro meu adereço. Funciona? Não sei. Talvez todos são tão fingidos quanto eu. Nos escondemos, de quê? Da dor de viver nu. Sem sonhos nem esperanças. Sem crenças. Por isso nos vestimos, escondidos atrás de fantasias., imaginadas por uma mente com medo do desconhecido. Respostas? Nunca temos. As perguntas não cessam. Razões, não entendemos. Pensamentos sempre são demais.

Se mudo de canal, se viro a esquina, se corto o cabelo ou assisto Godard, o eco do nada continua em minha mente "o que há, o que há"...

Nada pode aplacar o questionamento sem fim. Por mais que eu tente, não consigo me livrar de mim. E tal qual uma sombra, em uma caverna cheia de dúvidas, o mar de perguntas cria ondas que quebram na minha compreensão sem sentido: "pra onde, pra onde..."

Não sei. Pulo da ponte. Algo em mim grita: "esconde, ESCONDE".

2 comentários:

  1. Nossa.. essa ficou difícil de captar os significados! haha.. Mas eu adoro textos que fazem isso, que vão até o fundo da alma e conseguem arrancar questionamentos dilacerantes. Eu só li um punico livro da Clarice Lispector, mas me lembrou muito alguns aspectos dela. Tem alguma relação? Esse é daqueles textos para serem lidos com atenção e, ao final, levar a alguma reflexão sobre a própria vida do leitor. Por mais que o escritor se apóie no individual, quando coloca no papel o que sente o universal pode ser mais facilmente alcançado. Eu também sou só questionamentos, e os pensamentos sempre são demais. Tri-instigante.

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