domingo, 14 de dezembro de 2008

Amor de Colégio


Marina Costa
No início éramos tímidos, estranhos. Olhávamos-nos de soslaio, esperando que o outro falasse alguma coisa para poder responder com delicadeza e mostrar que queríamos nos aproximar, ficar mais junto, se fazer mais presente. Outras pessoas também estavam conosco todos os dias, mesmo que não tão perto. Elas vinham para nos unir e entre um ensinamento e outro nos faziam dar as mesmas gargalhadas, pensar as mesmas coisas, nos sentir iguais.

O tempo foi passando frágil e mágico como cristal. Nossa convivência aumentava a cada dia, junto com nosso amor e confiança. Não bastava mais ficar o dia todo juntos naquela segunda (por muitas vezes primeira) casa, não bastava fazermos todos os trabalhos juntos, grupos de estudo, reuniões para projetos. Queríamos mais. E assim, quantas e quantas noites, um ligava para o outro convidando para um lanche acompanhado de “causos” e risadas, convidando para um filme, para uma pizza, um sanduíche no trailer da esquina, um sorvete no domingo à tarde. E a gente se unia e se conhecia ainda mais. Gostava-se ainda mais.

Gostávamos de apreciar nossa diversidade, nossas diferenças, cada um com seu estilo próprio e único, uma risada inconfundível, um jeito de fazer piada com tudo, um brilho cálido e especial no olhar. Amávamos nossos defeitos e quantas vezes rimos de nossas próprias gafes. Sim, era um relacionamento bem próximo da perfeição.

Havia brigas também, como em toda boa união. Por vezes, no ápice de emoções exaltadas, falávamos o que não queríamos dizer, ofendíamos sem a intenção clara de machucar, virávamos a cara, cortávamos relações. Quantas vezes juramos nunca mais nos falar? Ah, os extremos da juventude, como ouço dizer os mais velhos. Mas, mesmo que demorasse alguns dias, ás vezes meses, as mãos se davam novamente, o sorriso tímido dava lugar ao riso solto, a fria distância ao abraço apertado e éramos felizes outra vez!

Por três anos, que naquela época pareciam tão longos, e agora vejo que como tudo que é bom passou depressa demais, nos admiramos mutuamente. Ajudamos-nos, choramos juntos, vimos ao mesmo tempo o mesmo mar, numa viagem mais que inesquecível. Sentimos as mesmas dores, torcemos pelo sucesso de cada um. Vivemos talvez uma só vida.

E no dia da despedida, lágrimas rolaram soltas. Nos rostos de nossos parentes vimos sorrisos de alegria, orgulho e um certo alívio pelo fim. Em nossos próprios rostos havia um sorriso por tudo que vivemos e a sabedoria de tudo que aprendemos. Mas no coração a certeza de que acabava ali, que nossa convivência diária terminara, enchia o ar que respirávamos de melancolia.

Então cada um seguiu seu caminho, sua estrela. O mundo se tornou pequeno demais para nós. Uns foram para longe, outros estão mais perto, outros se perderam nas estradas do vida e não deixaram referências estando agora menos acessíveis. Mas o amor de todos uns pelos outros, às vezes mais, às vezes menos, nos une ainda nos fazendo relembrar o quanto fomos felizes.

Ah! Tempo de colégio! Eu podia querer mais alguma coisa além de toda aquela vida colorida que meus amigos me ajudavam a pintar?

É! O que é bom dura o tempo suficiente para se tornar inesquecível, usando essa frase meio piegas, mas repleta de verdade. Porque aquela Turma daquele Colégio vai ficar para sempre na minha cabeça, gravada em brasa de sentimentos felizes no meu coração.

Amigos, colegas, irmãos, amores... nós ensinamos uns aos outros o sentido de crescer em harmonia. E isso é mais uma lição que cada um de nós, mesmo com o fim daquela fase tão boa, vai levar por toda a vida!


Um comentário:

  1. Aiaiai, esses tempos de colégio, esses primeiros amores... Felizes os que souberam aproveitar esses anos, e que agora podem relembrar com bastante ternura aquilo que viveu. Achei muito bonito tudo isso. Gostei da parte que diz que juravam nunca mais se falar rs.. Pra depois esquecer tudo, e voltar ao que era antes. Até que chega o dia em que crescemos, e então não haverá mais volta.

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