terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Desobrigações

Marina Costa
Noite fresca em cabeça vazia. Cabeça vazia de adultices. Sentar em frente a tv e esquecer de ligar o botão. Esquecer do horário de dormir respeitando as tais horas necessárias ao sono. Esquecer das obrigações da segunda. Colar um sorriso bobo na cara e ficar. Só pela graça de sentir a brisa na pele que arrepia. Precisa de muita coisa nessa vida nada, afinal. E se precisa, a gente pode até fingir que busca o que todo mundo quer só para não ficar de fora das conversas. Só para passar ares de maturidade. Só para poder ficar com sorrisos bobos na cara, na noite fria que sempre chega, sem etiqueta e sem preço.

Noites como essa, com o espírito leve, me aparece sol nos dedos. Uma página em branco, o silêncio como canto e muito o que contar para que eu mesma possa ouvir. Muito nada sem profundidade para dizer. Porque assuntos de coisas sérias já se esgotaram há muito... e eu não sou lá grande admiradora das coisas sérias.

Prefiro o tempo, que não existe. Prefiro o gato que só quer saber de se lamber. Prefiro pensar que eu sou só paisagem também. Paisagem de passagem. Sem valor e sem sentido. Mas cheia de brilho, na noite de quem não precisa de muito além de ver estrelas.

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