quarta-feira, 21 de abril de 2010

Busca



Marina Costa


Procura, procura. Sobe em montes. Põe a palma da mão sobre os olhos, para tentar enxergar mais longe. Olha de cá, de lá. Grita, para ver se o eco responde. Mas nada. Só imensidão. Gigante, como o desespero da busca que nunca acaba. Desolada. O sol se foi, o céu rosáceo pergunta "para onde?". E quanto mais perto parece chegar mais tudo se esconde. Escuridão, rotina de todo dia após o anoitcer, de súbito traz iluminação. Não busque. Não corra. Não grite. Apenas morra. Na morte de todo dia, no deixar o que foi ficar na moldura do passado, no museu empoeirado da vida, as pequenas coisas se esvaem... E a alma fica livre para toda a efervecente fertilidade das grandes coisas que virão.

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