terça-feira, 12 de outubro de 2010

Beijo

Beijo - Fernando Scheidt

Marina Costa

O cheiro de canela vinha do brinco na orelha e enebriava o sentido já atordoado pelo calor do corpo dela. Quente e úmido. Sentiu, no bigode, a respiração morna e macia, rápida mas equilibradamente constante. Quando encostou-lhe os lábios sentiu o frio do gloss que ela usava. Frio com gosto de cereja em conserva. Relevou. Nesse momento já havia fechado os olhos. Depois de conferir se ela fechara os dela. Três mordidinhas depois ele entreabriu a boca pequena com sua língua firme. Buscando o que ele já sabia estar ali. E ela cedeu. Com um pequeno suspiro estremecido. E ele sentiu se inundar de uma sensação de afogamento no calor de uma tarde de sol forte. Lento, molhado, ressaca. Como o mar. Infinito. Perdeu-se ali. Para sempre no beijo que sonhou e do qual nunca mais ia acordar.

Um comentário:

  1. Esse texto consegue transcender o cheiro e o sabor através das palavras...
    Belíssimo!!

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