quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Narciso

Marina Costa

Sabe quando a gente finge? Sabe quando a gente finge que está fingindo e depois de tudo não sabe mais aonde foi parar o nó da verdade pelo fingimento, onde desata tudo? Sabe quando a gente lê cartas rasgadas, muito tempo depois do choro, e não sabe mais quem escreveu pela nossa mão? Hoje eu te vi e fiquei pensando assim...

Fiquei pensando se eu não procuro coisas em lugares que eu não devo abrir... E para pegar a chave eu acabo falando palavras mágicas que não entendo bem o querem dizer...

Eu poderia te perguntar mas acho que você também finge.

E aí seríamos dois, a questionar nossas prórprias ambições sem motivos. Sem fundamento. Buscando algo que dê para segurar. E arremesando bem longe, em seguida, para não olhar por uma segunda vez.

Uma segunda vez verdadeira... como uma vela por detrás da sombra no espelho. 

A realidade é madrasta. Machuca e ensina. 

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