terça-feira, 5 de outubro de 2010

Réstia

Marina Costa

Quando o sol, mais uma vez, se levanta na janela branca do quarto dela, ela sorri porque sabe o que a espera.
Quando a lua sai triunfal, arrastando seu manto de ponta laranja pelo horizonte a dentro, ele sente uma certa dose de desalento, que não deixa de ser emoção.
Se a noite, que é retrato dela, se retira misteriosa, é para deixar vir o dia sereno, pleno, como o que ele mostra.
Da treva, caldeirão do mundo, vem o pulsar da semente que ela carrega.
Da luz, fertilidade da vida, vem o jorro brilhante que move os céus.
E assim para sempre, no branco e no negro, estarão juntos a criar eras, seres, pensamentos e susurros. Nas folhas secas e nos galhos tortos do silêncio retumbante. Nas labaredas vermelhas e ondas transparentes de efervescente harmonia. Unidos por uma força invísivel mas inegável. Que gera tudo. Que compõem o nada. Escondida na luz da noite. Alardeada no escuro do dia.

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