sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pelas tantas de tarde

Marina Costa

Da copa sai o cheiro do café novinho. Na mesa ao lado, a colega fala da pedra no dedo da futura princesa. Ainda existem, no mundo, princesas. Lá embaixo, do alto de 10 andares escuto o barulho da vida: buzinando, acelerando, gritando a última do jornaleco diário. E aqui, na minha tela escura, passam números, passam letras, passo eu.
Alguém sabiamente me diz que estou com cara de "puta merda". Preguiça, retruco eu. Mas nunca ouvi melhor definição para minha cara de 3 da tarde. Cara de quem segura no peito a explosão de um vulcão.
Tenho vontade de defenestrar o calendário. Largar sem mãe a bagunça de papéis, sair batendo a porta e dizendo até uma hora aí.Desligar o celular. Subir numa colina. Sentar debaixo de um pé de goiaba vermelha para ver a vida correr sem mim. Ver que ela não corre, afinal. Nem eu.
Mas insisto em terminar a tarde. Outra tarde. Tarde. Tarde...

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