quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Desaguando


Marina Costa

As nuvens em cima da cabeça dela ficaram muito negras, conforme a tarde ia caindo. De repente, eram raios e trovões para todos os lados, saindo de sua boca. Estava tal qual uma grande cumulonimbus, pronta a desabar. E pela madrugada a dentro, choveu e choveu pelos olhos. Encharcou o rosto, deixando-se com cara de campo revolvido. E, até que o sol atreveu-se a brilhar no alto, ela não parou de chover. Era muita tormenta para uma mulher tão pequena. Mas, quando a manhã bateu na janela, de leve, ela revirou-se na cama, já mais sensata. A nuvem agora, não passava de uma tímida cirrus. Sorriso, ainda não existia. Era pedir demais, afinal a colheita, a boa colheita, é demorada. Mas o plantio, apesar de turbulento, foi vasto. A mulher, que emergiu da menina, começou o dia arejando a casa. Enquanto isso, do seu coração, brotava muito verde uma folhinha de vida nova. Acho que era um pé de rosas.

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