terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Turbilhão



Marina Costa

Contas atrasadas, colégio suspenso, trabalho indigesto. Ponto eletrônico, email não respondido, compras a fazer. Comida fria, cozinha suja e despensa vazia. Cansaço rotina, stress como hábito, baixa libido no fim do dia. Miado de gato em crise de existência. Dinheiro que falta, dinheiro que não sobra, cartão de crédito no vermelho. Telefone da pisiquiatria, família picuinha e salve-se quem puder. Carro enguiçado, eixos quebrados, gasolina além do aceitável. Unha lascada, cabelo pintado, jeans com um número a mais agora. Fim de jornada, volta para casa e a fonte de água continua cantando, pequena cachoeira de paz no meio do turbilhão. E, perdido nisso tudo, fica ao longe e chorosa a saudade que dói, o amor empoeirado, a amizade não polida e a vontade de que as coisas fiquem calmas e quietas para que a gente possa saber o que fazer desse presente muito embrulhado que chamam de vida.

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