quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Demolindo

Marina Costa

Primeiro foi a porta da frente, que não fechava. Mas, tudo bem, não acreditavam que alguém ia entrar por ali, de qualquer forma. Então, começou com as janelas. Batiam, noite e dia, incessantemente. O vento entrava e assobiava sombriamente, como quem anuncia o caos. Ainda, sem se importar, pois eles tinham guarda chuvas, continuaram ali. Mas certo dia, em pleno jantar, soltou-se o reboco e caiu o teto. Em seguida, uma a uma, as paredes, tal qual pilha de dominó mal armado, vieram abaixo. Quadros, cabos, pregos. Tudo reduzido a destroços. Nesse momento eles sorriram. Levantaram do meio dos escombros e se abraçaram. Agora, não tinha mais jeito, pois nenhum deles tinha talento para a construção. Pelo menos não por enquanto. Pelo menos não enquanto não quisessem.

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