segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hoje aos 12

Marina Costa

Nádia tinha um cavalo roxo. Quando ia dormir, ele ficava ao pé da cama. Ela então podia sonhar sossegada e bem guardada pelo pangaré. Um dia, porém, ela acordou e só viu o arreio. Procurou embaixo da colchão, no guarda roupa, no pasto da pequena área privativa do apartamento MRV financiado. Nada do quadrúpe. Nádia sentou-se na escada desconsolada. Tinha então 12 anos. No dia seguinte, pediu ao pai para lhe comprar um celular. Ele cedeu. Queria amainar a tristeza da pequena sem precisar usar seu tempo dando-lhe colo e conselhos. E quando ela conheceu seu pequeno e charmoso aparelho, touch brilhante, nunca mais pensou no cavalo roxo e em seus sonhos. Agora tinha acesso às redes sociais. O resto ia para a gaveta do meio.

3 comentários:

  1. lembranças, lembranças minhas. Como era bom qndo só sonhavámos. hj materializamos nossos sonhos. O q será mais completo? Nossos sonhos, ou nossas conquistas momentanes?

    pense nissso

    sigo-te a há um bom tempo. Gostaria que seguisses-me.

    abnerlmesmo.blogspot.com

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  2. Com muito prazer e obrigada por me acompanhar!!

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