segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sem Compromisso

Marina Costa

A manhã  raiou com um sol do tamanho do mundo, rachando cocos e cocorutos. Na cama, a cabeça era maior do que o próprio astro, visto a ressaca que assombrava ambos os seres. Do lado, alguém escolhido a dedos tortos para partilhar de uma festa a dois. No olho borrado e no hálito de azeitona estragada a falta de sincronia, agora sóbria, falava alto. Sem graça e quente, eis o dia nada perfeito que começou. Um foi preparar o café. O outro, vestir as calças. E comendo o pão frio, com risadas fingidas de rabo de olho nos ponteiros, se despediram antes que um insuportável "e agora?" se erguesse da xícara já vazia. Porta fechada. Suspiro fundo, de cá e de lá. Já na rua um pensava que, afinal, não foi assim tão mau visto que de muito pouco se lembrava. Trocando os lençóis o outro dizia que, quem sabe, ligaria no próximo domingo desde que já estivesse suficientemente alterado por fartas doses de bebida. E o sol lá em cima em sua infindável tarefa de tostar o mundo,  só não conseguia entender porque todos acham tão díficil deixar morrer o que claramente não vinga.

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