segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sinfonia de Gorecki

Marina Costa

Há um som, belo som, que conta a história de um ser que encontrou o que esperava. Durante toda sua vida, tudo o que fez, cada palavra que ouviu ou pensamento que alçou, desde a primeira estrela que observou, tudo foi determinado na direção de encontrar aquele que agora se apresentava. E por esse encontro, tudo poderia terminar. A morte não seria mal recepcionada e uma possível explosão do universo culminaria em paz e calma. O fim traria a eternidade prometida e buscada por esse encontro de seres, lado a lado, até o fim dos tempos, até que a Terra parasse de girar. O um foi encontrado. A face nunca vista e sempre conhecida. Amada. O que se sabe, o que se aprende, o que se vive só leva a um ponto: a busca do encontro. A comunhão que encerra todos os outros desejos que não sejam o de olhar a noite, com o rosto tocando a grama. O um. O único. Encontrado. Quem duvida, ao ouvir o som, que tal conto inventado não exista? Desta vez, desta vez e por cada um que é capaz de sentir. Na sinfonia espalha-se o odor fresco de uma verdade bela.

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