sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Telempatia


Marina Costa

Diz ela... sabe, eu nunca esperaria nada de nós dois como está acontecendo agora. Por mim, eu e você, a gente só fazia hora. Eram uns goles ali, beijos aqui e fica bom como está. Mas penso que, quando começa a render, é melhor sentar e discutir sobre o que fazer. Eu gosto do seu perfume doce-amargo como suas falas ferinas, do seu sorriso espontâneo de bicho do mato assustado, do seu jeito inseguro de me dizer o que fazer com medo de ouvir eu rir de você. E tem horas que eu não quero parecer grande para poder ficar só pedindo colo, no seu ombro, vendo o sol nascer. Pode ir agora que eu já disse o que queria dizer e confesso, não morreria se você resolvesse não voltar. Eu só precisava falar. Era só para você saber que apesar de não amar, eu prefiro ficar e não vou sofrer.

Diz ele... enfim vou falar para a menina cheia de idéias mirabolantes que se esconde atrás desses trinta anos pretensos a sobriedade, porque é a ela que eu quero atingir ao me ouvir. Você sempre soube que eu nunca vou fingir. Se eu não falo o que manda o roteiro ou se eu pareço perdido em tiroteio é porque seu cheiro de cereja me desorienta, pequena. Me enebria. Me faz cair neste palco inventado para não ser mais do que um bobo palhaço aos pés de sua risada cristalina. Lolita Messalina. Não aceito essa sina. Digo então que não quero ficar e confesso também que prefiro não gostar. Mas eu vou voltar. Pelo seu abraço macio que me faz dormir. Pela sua mão que nunca me segura e sempre me deixa ir. Pelo seu olhar que por muito tempo, espero, ainda vai me fazer sorrir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com