quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tom do Dia



Marina Costa

Às vezes a conversa fica séria. O lábio apertado entre uma arcada e outra, o nome dito de forma articulada em alto e bom som. A garganta aperta, o peito suspira. E ouve-se o som de vidro partido, de papel amassado, de choro reprimido. Tudo para dizer que as coisas, por vezes, não vão crescer. Tudo para entender que a gente não escolhe o destino e que esse papo de livre arbítrio faz parte de conto de fada mal amada. No final, depois da tempestade, de tudo revirado pelo vento da verdade, sobra o chão seco, o rosto úmido, as mãos cansadas. Sobra uma melodia feia que não serve para nada. E tem gente que se deixa abater. Tem aqueles que nunca mais se levantam. Fim da linha.
Mas também tem que faz rir. Quem tenta imitar rouxinol. Quem pensa em provérbio chinês. Colhe quem planta. Ama quem chora. Vive a vida quem menos se apavora. Agora.

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