quarta-feira, 30 de março de 2011

Frio de Brasa



Marina Costa

Foi um tímido aperto de mão. Mas suficiente para ver que elas suavam. Rugas nos cantos de ambos os olhos e grandes pupilas que ainda, esperançosas, procuravam brasas acessas. O contemplar foi longo e repleto. Histórias com lembranças, criadas ou vividas. Mais belas do que sofridas pois foram polidas pelo esquecimento. No fim, encolhidas, fecharam-se no fundo negro da memória abandonada e não saíram nem com o bater das vidraças. Era a chuva, receosa, e o frio que também tinha medo de entrar. Receio de ali, no aposento, congelar. E se no início deste capítulo ainda havia calor, este se extinguiu depois da última palavra dita prenunciando o fim silencioso de toda a tempestade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com