domingo, 20 de março de 2011

Latência



Marina Costa

Perdoem-me a displicência com minha própria obra mas a hora é morta. Ignorem a falha constante mas há ainda o instante. Não pensem na falta do tempo pois já vai longe o meu último momento. Esqueçam o compromisso assumido pois não posso mais com isso.

Abençoem o abandono que gera o reencontro. Enobreçam a ausência da letra, declínio do que surge e glorifiquem o nascimento do morto, os adornos refeitos, colados, a cópia do não visto, o regurgitar do engolido.

Lembrem-se que tais fatos precisam de incubação. Fermentação. Silêncio e negrume. E eis que da mente resurgem.


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