terça-feira, 23 de agosto de 2011

Consolo



Marina Costa

A mão abanou, expressando o adeus final, na plataforma de embarque. O sorriso enganava, para que a despedida não fosse dolorida. Entrou no vagão. Ao ouvir o apito do trem, barulho de engrenagens que representava a certeza da distância, o pranto apertado finalmente rompeu e o corpo em desconsolo se dobrou sobre o solo, de tristeza. Depois de tanto procurar, perder trazia de volta a sensação de desalento com a qual tinha se acostumado a andar a vida toda. E aquelas poucas horas de encontro, só serviram para aumentar a certeza da enorme diferença entre si e o resto do mundo menos um, da enorme falta que aquela outra alma, tão igual, faria dali para a frente. Foi-se o trem. Ficou a ilusão. Alçou os olhos e do outro lado dos trilhos viu a mão que continuava a abanar, com um sorriso de traquinagem no rosto. Ela nunca partiria.

Um comentário:

  1. que lindo "...com um sorriso de traquinagem no rosto", adorei.

    abnerlmesmo.blogspot.com

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