domingo, 21 de agosto de 2011

EsQuadro



Marina Costa

     Ela ouviu o vento gritar do alto do rochedo, sob nuvens negras. O mar, enlouquecido, lambia a pedra com fúria, tentando apagar a dor pela dor. Ao longe os raios iluminavam os destroços que o fogo deixou. Suas tranças claras e suas lágrimas frias se uniam para adiar a entrega do corpo sem vida. 
     Seu escudo não parou o tempo, sua espada não feriu a chuva. A armadura foi como vidro, partido pelas mãos do destino. Os olhos, na agonia da despedida, vidrados na morte que sorria, com medo e espanto ao pressentir que se fechavam prometeram voltar do outro mundo para lhe dar o abraço de adeus.
     Ela ouviu o vento gritar do alto do rochedo, sob nuvens negras. Soltou o corpo frágil e deixou-se cair no mar, enlouquecido, que afinal se calou.

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