Marina Costa
Não, sempre dizia ela, e sorria tentando amenizar a recusa. Talvez, se insistissem muito, mas viam em seus olhos as labaredas da confusão. Detesto, firme afirmava e apertava os lábios temendo contradição. Alheia, demonstrava indecisa e escondia o rosto que desconhecia, entre as mãos.
Um dia, como sempre distraída, caiu num buraco aberto no alto por alguém que brotou da escuridão. Caiu em pé e surpresa só discerniu no escuro a cara enrugada da solidão. O grito não vinha, o choro morria e a lama quente a envolveu sozinha, em sonhos de nada, ideias vazias que corriam perdidas sem direção. Por anos viveu enterrada, abraçada aos próprios joelhos, gemendo em altos lamentos, com a cabeça no chão. E o coração ao invés de pó, virou semente doente, planta traiçoeira, venenosa e morteira, que já nasce torta e seca a repetir, pela boca do vento, para todo o sempre o mesmo intento, sussurrando o eco do não.

Parabéns pelo blog!!! Tenho um de poesias, se quiser conhecer, ficarei feliz! www.deborasader.blogspot.com
ResponderExcluirDébora Sader
Eu sou um cara ingênuo, que sempre acredita no sim e no não do que me é dito, ignorando muitas vezes a intenção. Eu seria um péssimo jogador de poquer.
ResponderExcluirUm amigo que tem mania de gíria do gueto paulistano me diz: "vc sempre enxerga tudo ao contrário, né Jão?".
Pensando nisso e em quanto tempo eu levei pra entender Cazuza quando diz "a tua piscina está cheia de ratos", venho aqui comentar seu Tropeção e te dizer que o que vc escreve, apesar de não possuir a obviedade que (quase sempre) satisfaz minha estupidez, me faz sentir feliz por finalmente captar algo de belo no que eu pouco compreendo e consequentemente, ignoro.
Ei Débora! Obrigada! Vou querr conhecer sim! Quem sabe me inspiro para tentar dar meus primeiros passos em poesia também! Abraço!
ResponderExcluirTonho, tenho certeza que você é um universo condensado em um corpo humano pequeno demais para compreender a grandiosidade da sua própria mente... E se você demorou para entender o que quis dizer Cazuza, sei que é um dos poucos a não cantar o refrão apenas pela melodia! Muito obrigada pelas suas palavras! Não sabe o quanto fiquei feliz em ver que consigo passar a sensação que não explico por faltar em mim a tal compreensão racional! Talvez a vida ficaria completamente sem graça se ela estivesse sempre presente... Abraço!
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