quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Esquina



Marina Costa

Na intercessão da rua, ficava ela, noite após dia, a decidir destinos. Raros eram os passantes que ante a insinuação da dúvida não sucumbiam à pressão do momento. Vendo os possíveis caminhos, perdiam o rumo no eco do dúbio silêncio de possibilidades, debatiam-se na quina da razão. Olhavam para frente, muitas mais vezes para trás com lágrimas a preencher a secura do rosto. Aperto no peito. Rugas na testa. A mensagem era sempre esta. Seguir adiante para voltar ao ponto de partida. Dizia aquela velha senhora, de roupas bufantes e olhos vidrados, mãos nervosas a embaralhar cartas surradas. Palavras tolas mas malditas que transformavam as esquinas em labirintos infinitos.

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