quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cultivo



Marina Costa

Ela, andante, filha de flora cigana, criou um desejo latente de rodar o mundo no vento que carrega o pólen e desde semente sentiu que o fluido da vida jorra além de palavras se espalhando por campos muito maiores do que o jardim que a gente acostuma a viver. Fincou em chão longe raízes tão fortes que nem a mão mais cruel, a da realidade, pôde arrancar. Sonhava. Todas as noites. Talvez, todos os dias também. Entretanto, adormecida depois de desiludida pela rotina de dias de calma, a pequena planta ficou como que morta, meio seca, meio verde, meio vazia de toda expectativa que criou para crescer. Imaginou que dentro em breve teria uma copa grande e carregada mas ainda era pouco mais que caule novo e não parecia que nada mudaria assim, tão cedo. E não mudou. Até que, ouvindo de novo o sopro de brisa que anuncia mudança de ares e traz a melodia da voz que cria,  rompeu com alegria o solo, subiu pelas paredes batidas e lá de cima do muro viu um novo raio de sol que nascia. Sorrindo, para ela prometia um horizonte amarelo brilhante que tinha tudo para ser um futuro de belos frutos. Era só cultivar. E voar.

2 comentários:

  1. nossa q inspirador, parabens
    by coisas boas da vida

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  2. Quando estamos inspirados a inspiração sai pelos poros... Obrigada!!

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