quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Pelo Sim



Marina Costa

Depois de tanto, foi assim, um tchau, um até mais. Falou, enfim, liga para mim. E passa feira, passa loja, passa bar, passa cerveja, e nada de ouvir o telefone fazer trim. Nesses tempos comunicáveis, onde recados são deixados em nuvens cibernéticas, não aparece nada, nem um oi nem uma olhada, piscadinha ou cutucada, nem mesmo sinal de fumaça. Nas entrelinhas do que não é logo dito, abrem os pensamentos puxados pelo faceiro e venenoso se. Se pensa assim, diz logo isso ou se acha que fez pode desdizer. Se o mundo acabar aí pode tentar ou se não responder, quem sabe procurar um buraco e a cabeça esconder. Definhando em conjecturas, secando com os olhos certo celular que não toca, email que não atualiza, rezando para o telégrafo, ideia do vovô. Fica aflita. Procura o cheiro. Enche de águas os olhos antes secos. Tudo pelo sim. 

4 comentários:

  1. Encontrei o seu blog por acaso, e gostei muito dele e do modo como direciona suas palavras. Parabéns. Acompanho agora =)

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  2. Muito obrigada!! Coisas novas estavam vindo e espero que você goste e continue acompanhando! Abraço!!

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  3. Obrigada Marcos! Bem vindo sempre! Abraço!!

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