domingo, 15 de janeiro de 2012

Quentura


Marina Costa

Rodando o copo na mão, enquanto a torrente de palavras fluía em resposta aos argumentos dela, a cabeça dele voava longe. Os olhos descendo pelo decote do colo e voltando, surpresos, aos negros cílios paravam de repente na boca vermelha e pequena, que mexia sem cessar. Não que ela falasse demais. Só não conseguia prestar atenção no que dizia. Meio alto, meio tonto, meio em chamas. Ela nunca iria desconfiar. Ele precisava soprar. Pegou a mão dela, pequena também, e a levou para fora dali. Longe do barulho, longe das outras vozes, longe de copos cheios de nada e brindes sem qualquer motivo. Com os braços e lábios, mãos e susurros mostrou para onde iria todo aquele assunto. Na verdade, não passava de princípio. O meio era o agora, entre os corpos quentes ainda vestidos. E o fim, que estivesse bem longe, seria permeado de muitos e muitos momentos como aquele onde frases compridas terminavam em longos beijos.

2 comentários:

  1. Que leitura gostosa. Um passo de cada vez e, ao nos vermos de repente, sabemos que é só o meio do que começou na leitura ali em cima. Brilhante!

    abnerlmesmo.blogspot.com

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  2. Obrigada Abner, fiel leitor! Abraço!!

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