sábado, 25 de fevereiro de 2012

Refluxo



Marina Costa

16:31. Suas pálpebras pareciam de chumbo. Tirou os óculos. Coçou com força os olhos, até sentir lacrimejarem. Repôs os óculos. Apoiou o queixo na mão, que apoiou na mesa, sob o cotovelo. Escorreu e quase bateu a testa na tela. Assustado, olhou para os lados. Ninguém fez sinal de chacota. Se recompôs. Abriu novo arquivo. Nem o sistema colaborava, tudo lento, lento, leeeeento... zzz... zzz... Acordou com o próprio ronco. Coração disparado, limpou a baba na manga da camisa. Não poderia ficar ali. Levantou. Tomou um gole de café frio. E mais um. 16:38. Segunda interminável. Olhou pela janela. Imaginou-se pulando. Deitado, olhos fechados, ressonando, que delícia! Quando viu, a xícara já tinha caído. Despistado, conferiu se alguém tinha sido acidentalmente acertado. Parece que estava livre dessa. Voltou. Sentou. 16:41. Não aguentou. Escondeu-se no almoxarifado. E lá ficou, entre pilhas de papel e cartuchos de tinta, até às 8 horas do outro dia. Nunca dormiu tão bem.

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