quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Torvelinha

Crédito da imagem: Escultura "Knee Hug" de Jo Jones - http://www.jojones.net/index.php

Marina Costa

No sopé da colina, abraçada aos joelhos, ela olhava o sol que descia. Pés descalços na grama, cabelo solto no rosto e ideias longe, seguindo por uma trilha que parecia sem fim. No fundo da mente, ouvia um eco que insistia em não morrer. Longe assim. Assim. Im. Junto uma imagem pausada, um sorriso endurecido, uma despedida fria e a certeza de que a falta de jeito mandou embora alguém que não deveria ter vindo. Sofria sorrindo pela conquista abandonada. No íntimo, tão junto de si, podia confessar que foi melhor. Sem amarras, andaria por onde quisesse a partir de então. Todos os fins de tarde seriam seus. Suas palavras jamais contestadas, suas mãos soltas para sentir o vento entre os dedos. Suspirava, sem saber ao certo se de alívio ou de apreensão. Pensando bem, e pensava, não tinha tanta certeza de querer para si o peso de toda a melancolia do pôr do sol. Todos os dias! E não conseguia traçar, assim tão facilmente, um caminho por onde pudesse andar completamente só. Haveria escuridão. Isso dava medo! Incerteza! Quem seria a mão para segurar no escuro? Um sorriso de incentivo, às vezes, até que tinha seu valor, reconhecia. Mas, vá lá; sacudindo a cabeça afastava o comodismo. Afinal com pedras e paus sempre poderia fazer seu próprio fogo. E nunca faltaria quem atirasse as tais pedras. Superar. Poderia tentar encontrar o gato da própria Alice. E rir com ele. Dormir sob estrelas, sem ouvir que poderia se resfriar. O país das maravilhas estava aberto. Era só tirar o passado da mente e abrir as asas para ganhar tal presente!

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