segunda-feira, 25 de junho de 2012

Entardecida


A luz laranja do entardecer entra sutil pela janela semi aberta da sala. Ilumina o livro melancólico esquecido sobre o aparador e lança raios dourados sobre uma cabeça baixa que, silenciosa, pensa sobre a morte. Sobre como o corpo outrora belo e jovem, fenece e como o sorriso claro de ontem, a gargalhada estridente sempre ouvida se anulam e se transformam em boca silenciosa e pálida, seiva ausente e seca. Sem encontrar justificativas ou mesmo razões divinas, cai em devaneios mais e mais negros, à medida que avança o dia. Extinguem-se as horas. Com pouco o sol finda e a brisa da noite iminente esfria os ombros magros e nus, cansados de tanta memória. Cai a lágrima que lamenta a perda. Desaba o pranto que tanto teme o fim.

Marina Costa

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