domingo, 15 de julho de 2012

Noturno Urgir


A campanhia soa sem parar casa a dentro. É um fluxo ininterrupto de aflição. No sexto toque da quarta ligação a esperança de ouvir um alô já há muito se esvaiu... Mas algo ainda mais obstinado retem o fone junto a orelha. Pode ser fé. Talvez teimosia. E antes que a voz metálica lance outra vez a maldição da caixa postal, uma voz longe, sonolenta e meio rouca atende. Oi amor - alívio. Oi - comoção. Que foi, me ligando essa hora? - apreensivo. Eu só precisava ouvir você - emoção.

Marina Costa

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