domingo, 30 de setembro de 2012

Dialogismo


Os diálogos circundam a luz ofuscante do néon, se misturam à fumaça de tabaco, aos hálitos refrescados pelo álcool e saem embriagados pela janela. Na rua, rodeiam outras conversas, vindas de leito raivoso que sofreu o embuste da falsa adoração. Andando juntos e se encarando, encontram pela noite os gritos alegres da mendicância do submundo, feliz com um simples prato de comida. E olhando de canto de olho, percebem as lamúrias das mulheres descontentes sem motivo, as perguntas das crianças incompreendidas sem idade e os lamentos de todos nós, perdidos em nossa incapacidade de comunicação. Acima de todas essas falas, mal ou bem ditas, lutando contra toda essa memória escorrida vem os sorrisos silenciosos de aceitação. Opinião é veste ajustável a cada corpo, seja magro ou gordo. Ideia é guarda chuva que cobre deixando respingar. Argumento é botina cansada que por vezes se rasga machucando o dedão. O que não pode é fechar a boca e deixar apertar o coração. Porque o dizer deve ser dito, o sentimento exprimido e o homem humano deve estender a mão para construir, com muito entendimento desentendido, um mundo claro e raso de compreensão.

Marina Costa

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