quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Porquê não?



O anúncio abaixo, apesar de fora do contexto, foi publicado em uma revista de automóveis, graças a criatividade da leitora:

“Eu não sou um avião. Mas também não sou um calhambeque aposentado. Estou mais para uma caminhonete 1.8. Compacta, acelarada, firme e com muita bagagem. Intelectual, obviamente. Por isso estou aqui a sua procura. Você, um jipe de estrada, acostumado a solidão de quem é incompreendido. Você que acampa com sua lona em qualquer vale gramado só para ver a lua nascer. Estou procurando sua conversa sobre astronomia, seu desprezo pela astrologia, sua admiração pelas rochas milenares e sua vontade de abrir asas sobre o mundo. Quero partilhar da sua estante literária e de um cantinho na sua mala para juntos gastarmos muita sola de sapato. Quem sabe, enquanto troca um pneu furado na estrada, te fazer uma massagem na nuca ou rir da sua condição de macho dominantemente mecânico. Em resumo, eu não quero alguém que só pense na troca de óleo, desprezando a categoria do motor. Preciso de um admirador de engrenagens. E, junto com ele, uma vontade gigante de fazer o resto do mundo comer poeira.”

 Dias depois, foi respondido. Não por um jipeiro, como era a pretensão. Mas por uma experiente motoqueira de trilhas.

Marina Costa

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