quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Guarda Roupa



Já diz Pessoa que chega uma hora em que aquelas roupas usadas, surradas, com a forma do corpo precisam ser deixadas de lado. Pessoa, do alto de toda sua sabedoria, te pergunto se você foi capaz de deixar aquela camisa velha, macia, quase companheira, das noites de preguiça, de despreocupação, de relaxamento. Questiono se você foi capaz de abandonar aquela calça certa, bonita, que te deixava diferente no meio de um monte de gente parecida. Como, Fernando querido, como fazer isso, sem sentir falta do contato do tecido na pele, do fácil achar na gaveta sem nem mesmo olhar, da certeza do que vestir, seja lá qual a ocasião...
Entendo a necessidade do conselho que você dá. Mas ensina a deixar ir sem sentir que se vai junto com o retalho uma parte de mim . Sem lamentar pela beleza da roupa que talvez nunca mais apareça em outra moda...
Desapegar desassossega a gente, Pessoa. Quisera Deus que não crêssemos no futuro. Daí ia ser uma tranquilidade só viver e deixar morrer.


Marina Costa

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