terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Hipérbole


Até o fim do mundo, com cães nos calcanhares e fogo pelos ares ele iria atrás do amor dela. Nadando através dos frios mares, correndo pelas florestas escuras, enfrentando toda sorte de desastres, ele perseguiria com ardor o restante precioso do pouco que provou. Gelo, neve, tempestades. Nenhuma fúria divina seria capaz de detê-lo em sua odisséia pela Helena de seus sonhos, amada Dulcinéia, terna e casta Cleopátra cigana. Fechada a porta atrás de si, armas em punho para a busca, ele põe o pé direito rua a fora. O sinal estava vermelho. Foi quando viu, pelo canto do olho desatento, uma bela cabeleira loira se agitar com o vento. E de repente a aventura de um amor indefinível ficou esquecida na sarjeta da calçada enquanto os passos incertos dele seguiam um aroma provocantemente desconhecido. O amor é, por vezes, só uma história exagerada. 

Marina Costa

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