sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Polissíndeto

 
Acordei e lavei o rosto com muita água fria e tomei café requentado e despedi do gato sem emoção. E então caiu sobre meu dia uma chuva escura de preocupações maciças. Contas em atraso e amor machucado e unha encravada e vontade de pedir demissão. Final de tarde e eu continuava com cabeça quente e minha cara amarrada e vontade de pedir carona em boléia de caminhão. Ainda era horário de verão. E uma velhinha atravessava a rua rindo sozinha. E uma garotinha fazia sinal para um carro parar antes da faixa. E ao longe escutei o abrir de uma garrafa antecedendo o brinde. E o sol saiu para terminar o dia aquecendo meu coração. Hora de dormir, depois do livro e do eu te amo. E ajeitei o travesseiro, e beijei o gato e fechei os olhos e vieram um monte de sonhos. Eu perdida em um labirinto de fumaça. E eu sorria da minha confusão que com certeza parecia maior do que realmente é.

Marina Costa

4 comentários:

  1. Belo texto, um ritmo que transparece as sensações. Gostei muito!

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  2. A confusão do personagem se faz muito clara pelo jogo de palavras que você escolheu. Ficou muito bom! :D

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  3. Obrigada, Renata e Alexandre! Abraços!

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  4. A vida é um polissíndeto. Belo texto, você é inspirada.

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