sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Serpentinas

 
Créditos da imagem: Alain Boussac - disponível em: http://www.pbase.com/image/109789859
 
Passou a tarde, passou o dia, chegou a noite e ele perdeu o brilho, solitário como a estrela primeira que primeiro o viu ali, só. Ele a buscou, esperou, mas se perdeu nas incertezas do amor de carnaval e, entre o duvidoso e o improvável, optou pela saída mais próxima, antes que seu coração terminasse de se partir. Longe ele ouvia uma voz chorosa cantarolar "Meu amor foi-se embora, não sei onde está, quem não chora?", e antes que caísse a lágrima derradeira, deixou no local marcado um triste chapéu amassado e foi levado pelo espírito do desalento para o bar mais próximo, curar sua desilusão. Uma bailarina, que entrou de sapatilhas na mão, compadeceu-se do pobre palhaço que cantava uma marchinha magoada no balcão. Meu consolo é você, ele repetia antes de cada gole sofrido. Compadecida, ela foi em sua direção mas antes que dissesse algo para lhe acalentar, eis que surgiu seu princípe encantado e eles se perderam, risonhos, multidão adentro.

 Marina Costa


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Confetes

 
Enquanto a colombina, triste menina, olhava a lua com lágrimas a se formar nos olhos vazios de folia, um pequenino confete veio tremulando e caiu sobre seu lábio ressecado. Delicadamente com o indicador, retirou o pedaço de papel, que atrevido, pousou onde os lábios de seu pierrot não puderam encostar. Ao arremessar tal ousado folião na sarjeta, prendeu sua atenção um engraçado ornamento que ali também jazia, solitário e amassado, como o coração da colombina. Então ele havia aparecido ao encontro! Por outro momento, se perderam. Entristeceu-se mais com essa piada do destino, mesmo sabendo ser o carnaval tempo propício para brincadeiras tais. Exausta, sentou-se desolada no meio fio. Alguns carnavalescos tardios ainda tentavam animá-la com alcoólicos elogios e exageradas reverências. Enquanto ela, ainda na fantasia que próxima estava de abandonar, sorria constrangida e pensava, em meio a suspiros: quem sabe no próximo carnaval...
 
Marina Costa