quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Confetes

 
Enquanto a colombina, triste menina, olhava a lua com lágrimas a se formar nos olhos vazios de folia, um pequenino confete veio tremulando e caiu sobre seu lábio ressecado. Delicadamente com o indicador, retirou o pedaço de papel, que atrevido, pousou onde os lábios de seu pierrot não puderam encostar. Ao arremessar tal ousado folião na sarjeta, prendeu sua atenção um engraçado ornamento que ali também jazia, solitário e amassado, como o coração da colombina. Então ele havia aparecido ao encontro! Por outro momento, se perderam. Entristeceu-se mais com essa piada do destino, mesmo sabendo ser o carnaval tempo propício para brincadeiras tais. Exausta, sentou-se desolada no meio fio. Alguns carnavalescos tardios ainda tentavam animá-la com alcoólicos elogios e exageradas reverências. Enquanto ela, ainda na fantasia que próxima estava de abandonar, sorria constrangida e pensava, em meio a suspiros: quem sabe no próximo carnaval...
 
Marina Costa

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