sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Serpentinas

 
Créditos da imagem: Alain Boussac - disponível em: http://www.pbase.com/image/109789859
 
Passou a tarde, passou o dia, chegou a noite e ele perdeu o brilho, solitário como a estrela primeira que primeiro o viu ali, só. Ele a buscou, esperou, mas se perdeu nas incertezas do amor de carnaval e, entre o duvidoso e o improvável, optou pela saída mais próxima, antes que seu coração terminasse de se partir. Longe ele ouvia uma voz chorosa cantarolar "Meu amor foi-se embora, não sei onde está, quem não chora?", e antes que caísse a lágrima derradeira, deixou no local marcado um triste chapéu amassado e foi levado pelo espírito do desalento para o bar mais próximo, curar sua desilusão. Uma bailarina, que entrou de sapatilhas na mão, compadeceu-se do pobre palhaço que cantava uma marchinha magoada no balcão. Meu consolo é você, ele repetia antes de cada gole sofrido. Compadecida, ela foi em sua direção mas antes que dissesse algo para lhe acalentar, eis que surgiu seu princípe encantado e eles se perderam, risonhos, multidão adentro.

 Marina Costa


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