segunda-feira, 1 de abril de 2013

De quando o problema é Si mesmo


     O jornaleiro grita, o padeiro de bicicleta buzina, a velha senhora resmunga enquanto varre a rua e o sol brilha.
     O homem tolo sorri, envergonhado da própria tolice revelada. Sorri honestamente, o que afeta a minha presunção. Acho que o problema sou eu.
     Eu que vejo a rotina como a bruxa que oferece a maçã. Ao invés de engolir, como toda boa princesa, eu cuspo e escarro e grito meu malfadado ato de eterno despertar. E eu brigo e xingo e questiono e não admito e agrido e choro e me desculpo e peço um pedaço então.
     E sinto o veneno entrando, estrangulando meu rebelde bom senso, asfixiando minha mente provocada, apertando como camisa de força meus braços pequenos que ficam menores e menos. Sou toda contenção. As lágrimas escorrem para dentro, meus olhos são agora de vidro e brilham. Minha boca se move produzindo um "tudo bem". Sigo os súditos.
Abaixamos as cabeças para que desça com menos dureza a guilhotina do tempo.
 
Marina Costa

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