sábado, 20 de abril de 2013

Poema de quem espera

Sozinho no silêncio ele medita se liga pra ela.
No escuro da cozinha o café preto esfria.
Na sala abandonada o gato carente mia.
E tocado pelo dedo frio da solidão ele mela.

(não, não nasci para poetisa,
se querem saber o fim da história
ele não ligou com medo de um não, morreu sozinho num asilo pobre e
foi enterrado como indigente.
Ela dormiu 83 noites ao lado do telefone
até se desiludir totalmente e canalizar sua revolta para o fervor
da oração, virou madre superiora e escondeu por toda vida
em sua bíblia de cabeceira a foto do único momento que tiveram juntos. Foi enterrada com a tal bíliba e o seguintes dizeres para a eternidade:
" Grande estudiosa das palavras do Senhor. Àquele que crê, Deus proverá.")
 
Moral do poema que não saiu de minha pena: caro ou caríssima, não tema. Com tanta forma de comunicar e tanto sentimento para exprimir o único pecado que pode existir é não falar.
Marina Costa


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para contato, o email é vidanacronica@gmail.com