quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quando choram os dragões


Sozinha ela via o sol se por. Sentada na pedra alta, enrrolada em si mesma pensava sobre seus conhecidos segredos enquanto pelas escamas sentia entrar o frio da escuridão que mal começara. Seriam tempos difíceis era o que prometia seu silêncio taciturno. Junto com o último raio de luz veio dos céus um trovão mouco e o mar agigantou-se na maior onda que ela já vira desde que aprendera a voar. Maior do que todas as tormentas pelas quais passou quando vivia no ar. Entendeu que finalmente estava na hora e no lugar da resposta para suas perguntas nunca formuladas. Ela queria saber demais, julgavam os Deuses. Pacífica, permaneceu sentada e encolhida. A água equilibrou-se em nada, ganhou volume, tampou o pouco de claridade que restava e por fim desabou, ensurdecedora. Ela abaixou a pequena cabeça e sibilou, como se sussurrasse uma despedida ao vento. Sobre pedras, sobre ideias, sobre si mesma, toneladas de sensações caíram, encharcando suas já muito molhadas asas que cansadas de bater em vão se deixaram levar. Em poucos segundos o refluxo da maré limpou a paisagem de qualquer vestígio de sentimento. Eles agora adormeciam junto a ela, sob o oceano que resplandecia calmo e sereno outro vez.

Marina Costa

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