sábado, 25 de maio de 2013

Do que se sente só em meio a muitos


Fluxo interminável de palavras, barulho intermitente. Sons de todos os tipos: de um lado risos sem sentido, de outro gritos fingidos. Onomatopeias, as mais diversas. E no centro da cabeça um eco sem fim que propaga o vazio, azio, io. Um átomo de segundo observado no vórtice do mundo frenético. Um pavor que sobe do calcanhar pela espinha como fina fria linha até o topo da mente consciente do pulsar da vida em uníssono descompasso universal. E o segundo de consciência é inspirado com ânsia, tal como o náufrago perdido que de repente tem certeza do afogamento iminente. Faz-se silêncio absoluto, rodeado de bocas que se movem demoníacas. Suspenso o tempo, apneia. Minutos imóveis. Para então, em estrondo, cair do céu outra vez a tormenta de falas, ruídos, desarmônica cantoria. Volta-se a respirar. E vencido perde-se na multidão densa, corpo único e desfigurado composto de milhares de partes sem rosto e inexpressivas.
 
Marina Costa


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