segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sobre estar só


 As vezes a gente fica sozinho quando o resto do mundo esvazia. As vezes vai-se aquela companhia tão desejada porque um vento enfurecido resolveu esparramar bagunça no coração. Depois de passado o furacão, sem muito mais o que fazer, é costume triste a gente sentar sobre tudo e contemplar os destroços. Para todo lado, páginas arrancadas e vidros quebrados, pedaços caídos perto de caixas vazias. Os olhos queriam encher-se de água ante essa visão. Mas a alma está seca e limpa. Resignada. Lutar contra a força que muda a vida é tão inútil quanto lutar contra a certeza que traz a morte. O que fazemos então é levantar e bater a poeira da roupa. Respirar fundo e arregaçar as mangas. O trabalho é dolorido porque cada parte quebrada é repleta de lembranças. 
Mas lá longe, do outro lado das paredes dessa casa emoção que fica no peito, uma réstia de sol pretende brilhar em algum tempo. O sorriso tímido já pode pensar em armar-se de novo para uma próxima cena. Vamos juntando os cacos.

Marina Costa
(18.10.2010)

2 comentários:

  1. Sempre ouvi que cicatrizes são provas de tentamos, erramos e crescemos.

    Vamos juntando os cacos. =)

    By the way, apresento-lhe meu refúgio: http://aleenois.blogspot.com.br/

    Até! :D

    ResponderExcluir
  2. Passei por lá e me interessei pelo constante utilizar de parênteses de sua pena! Serei visita constante! Abraço!

    ResponderExcluir

Para contato, nosso email é vidanacronica@gmail.com