segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ansiosismo



O relógio parou em infinitos 47 minutos de algum momento insalubre em uma manhã perdida. Olhando com ânsia o movimento aparente da  terra se torna apenas uma ilusão cortante. Bocas se abrem mutantes e braços se encolhem dissolvidos na visão impedida pelos segundos que insistem em se manter estáticos. Parou o vivo movimento infinito ao acertar a gélida quina da rotina. A mente dança entre a fúria e a sandince armando estratagemas para manter seu pulso. Traça planos para mil anos futuros. Raciocina sobre ideias a cumprir antes de sucumbir. Impulso de contactar alguém na Sibéria ou lançar um pombo correio até a mais próxima janela. Procura suplicante, na caixa  preta invisível, notícias que circulem no mundo lá fora. Música de Strauss na tentativa de acalmar o descompasso. As unhas já se foram há muito, os cabelos estão sendo meticulosamente arrancados. E por trás o zumbido do fantasma temido em seu agonizante tic taquear. Como na tumba escura de algum antepassado esquecido, o tempo retumba sombrio sem se mover. A saída se transforma em um tronco enrijecido, portal perdido. Não há como correr. As doze horas não vão bater. O ansioso e absurdo animal, prevê apenas uma hora nesse dia esquecido: a de enlouquecer.

Marina Costa

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